Washington Eloi Francisco é um professor que acredita na educação como ferramenta de mudança e vê além das aparências. Por suas habilidades e gostos pretendia entrar no mercado de trabalho atuando com desenho industrial, design ou algo da área. Aos 24 anos fez vestibular para geografia, licenciatura plena, voltado para dar aula. A princípio imaginou trabalhar com fotografia o algo que abordasse esse caminho no curso. Porém, o caminho indicado pela vida foi outro. Durante o curso teve a oportunidade de fazer estágio na escola Renato Azeredo e passou a ver com outros olhos a opção de dar aula, inspirado por um professor da instituição.
Quando surgiu uma oportunidade, substituiu o professor por duas semanas. Ao final do período sua orientadora recebeu uma carta detalhada e explicativa do professor sobre as atividades que Washington havia desenvolvido junto a seus alunos. Ao final do estágio, recebeu total pelo trabalho realizado. Formou-se em 2007 com a certeza de que lecionar era a profissão que queria para si. Mas, não bastava ser professor, queria participar, incentivar, instigar seus educandos, e foi o que fez.
Começou a fazer atividades diferentes, especiais e fotografar a escola. Percebendo que dava certo, que conquistava seus alunos e fazia com que tomassem gosto pelas matérias, quis que outros também tivessem essa experiência com os alunos.
“ O primeiro ano foi de muito aprendizado, de colocar ações em prática. Sempre tive muita sorte com as turmas que tive. Percebi que poderia transformar isso em técnica falando para outros professores. Fui ganhando experiência ao longo do caminho. ” Conta Washington.
Trabalhou em outras escolas até chegar à Rute Brandão. Junto aos alunos participou de uma palestra que debatia o uso do celular na ala de aula. Surgia sempre a dúvida: Como fazer a tecnologia funcionar a favor da educação? Saíram de lá sem chegar a nenhuma conclusão.
Começou a pesquisar aplicativos que poderiam ser levados para a sala de aula. Foi então que após muita pesquisa, estudo e dedicação, chegou a ideia de reproduzir em sala de aula, os óculos de realidade virtual. Aplicativos estavam disponíveis no mercado, tutoriais na internet ensinando o passo a passo, e grande parte dos alunos já tinham um celular que poderia ser usado na atividade. A ideia era usar o que já estava disponível no mercado para agir a favor da educação. Ou seja, o objetivo não é “recriar a roda”, mas usar as ferramentas já existentes a nosso favor.

A Escola chamou a atenção destaque do Governo do estado pela atividade do Óculos de realidade virtual.
Com o sucesso da atividade, os alunos e a escola foram ganhando notoriedade. Outros projetos foram sendo implementados como a inscrição dos alunos nas olimpíadas da matemática, português e astronomia. Foi criado o Jornal escolar, com edição impressa e on line e conseguiram verba para a rádio escolar. A escola também participou da primeira edição do projeto Meu primeiro negócio, e neste ano (2018) foi novamente selecionada para participar do projeto.
Hoje, ele coordena a escola ao lado da Diretora Carla Borges. Eles acreditam no potencial dos alunos que tem. Acreditam que motivar e engajar são os primeiros passos para a formação de seus alunos pois, é preciso formá-los por completo, formar para a vida. Isso instiga os alunos e os ensina a enxerga além das possibilidades, mostra que tem algo muito além.
“Além disso fazemos desfiles do dia da consciência negra, feiras, hallowen, palestras, passeio e excursões, temos uma rede social ativa e em constante manutenção. ” Explica.
- “Workshop Escolar” ministrado pela Publicitária/ Ilustradora Vanessa Stheling na escola.
- Washington durante palestra no Publimix 2018 na Faculdades Promove Sete Lagoas.
- Gravação do primeiro programa da Rádio escolar 2018.
- Primeira visita dos Alunos do curso de Direito do UNIFEMM com o projeto “Quero Trabalhar” na escola.
Mas isso só é possível através da parceria entre a coordenação escolar, o empenho dos professores e dos alunos. Washignton destaca o empenho da diretora Carla Borges, que abraça as ideias, trabalha junto e ajuda a fazer acontecer. As ideias dão certo quando todos trabalham juntos, assim funciona.
“Os alunos têm a possibilidade de sentir na pele o que os espera no mercado. Visão de empreendedorismo, educação financeira, motivação, ajuda a melhorar a perspectiva que eles têm do futuro e melhora a auto estima. O índice de alunos nossos que indo para a faculdade ou dando continuidade aos estudos aumentou muito nos últimos três anos. ” Comenta.
A biblioteca da escola não tinha livros literário, apenas didáticos. Em uma ação, iniciativa dos próprios alunos, conseguiram arrecadar mais de 300 livros. Hoje a biblioteca conta com mais de 800 livros, 700 revistinhas em quadrinhos, frutos de doação e de arrecadação.
“Tudo o que é planejado para a escola, tecnologia exponencial, soft, empreendedorismo, e outros, não é possível sem a imaginação e a criatividade. A fonte principal disso tudo é a leitura. Por isso, investimos muito em nossa biblioteca. ” Destaca.
Por causa dos projetos, em janeiro, a escola recebeu a visita da Superintendência de educação Estadual. E a instituição foi escolhida para receber um projeto piloto do Estado. Além preparar para o mercado de trabalho e despertar vocações, o trabalho de professores como Washignton transformam vidas, melhoram a auto estima, a perspectiva da comunidade local e aponta os jovens para novos horizontes. Trabalhos como este mostram que é possível sim mudar a realidade em que nos encontramos quando temos força de vontade.
Fazer acontecer depende de nós. Como diz Mário Sérgio Cortella : “Faça o teu melhor, na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores, para fazer melhor ainda!”
*Mário Sergio Cortella é filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário. Conhecido por divulgar questões sociais ligadas á filosofia na sociedade contemporânea. É autor de vários livros, entre os quais está Por que Fazemos o que Fazemos?, onde ele analisa a vida profissional na contemporaneidade.