Auditoria vai investigar obra de R$ 175 milhões

Auditoria vai investigar obra de R$ 175 milhões

A Prefeitura de Sete Lagoas e o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) vão contratar auditoria técnica especializada e independente para apurar em quais condições as empresas Collents e a JB Engenharia – esta, responsável pela fiscalização –  entregaram à gestão do então prefeito Márcio Reinaldo Dias Moreira (PP) as obras da Estação de Tratamento de Água, orçada inicialmente em R$ 72 milhões e concluída em R$ 175 milhões. A investigação também terá por objetivo saber por que o município recebeu a ETA. Hoje, entre outros problemas, há rachaduras em tanques e tubulações.

A auditoria foi anunciada em conjunto pelo prefeito Leone Maciel (PMDB) e o diretor-presidente da autarquia, Aluísio Barbosa Jr. “Toda obra de engenharia civil tem que oferecer 5 anos de garantia”, lembra o presidente do SAAE. “Dependendo das conclusões da auditoria, o Município de Sete Lagoas acionará o Ministério Público. Como os recursos foram repassados a título de empréstimo pelo BNDES, recorreremos ao Ministério Público Federal”, afirma o atual prefeito.

A Estação de Tratamento de Água não completou um ano de funcionamento. A ETA foi inaugurada oficialmente em 17 de junho de 2016, de acordo com a placa de identificação da obra: ETA e Adução de Água Tratada e Sistema Rio das Velhas. É do Rio das Velhas que vêm as águas que abastecem parcialmente Sete Lagoas. Com capacidade para vazão de 500 litros por segundo, hoje a ETA busca, trata e oferece água para a cidade na ordem de 140 litros por segundo. Para o prefeito Leone Maciel, a água é de qualidade, mas a ETA é deficitária economicamente.

De acordo com a engenheira ambiental e técnica química do SAAE Gilcélia Justino Teles Barbosa, “a reservação é deficiente, pois apenas uma das cinco bombas funciona atualmente”. Isso significa que a ETA trata e disponibiliza 150 litros de água por segundo. Segundo o projeto original, seriam 500 l/s. Outro problema é o bombeamento elétrico. Se faltar energia, a ETA pára. “Não há gerador de energia”, informa a engenheira. A estação era para ser automatizada, mas não é, acrescenta Gilcélia Barbosa. Isto é, a operação é manual.

Por outro lado, a qualidade da água que chega aos consumidores finais está de acordo com as normas da Portaria nº 2.914 do Ministério da Saúde. “Tanto a Vigilância Sanitária Estadual quanto a Vigilância Sanitária Municipal fiscalizam a qualidade da água”, garante Gilcélia Barbosa. E os procedimentos técnicos para dar a devida qualidade à água também seguem os padrões da Resolução nº 352 do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente), assegura a engenheira do SAAE.

No entanto, as dúvidas sobre a qualidade das obras da ETA permanecem e a auditoria será feita. Quando? “Imediatamente”, responde o presidente do SAAE Aluísio Barbosa Jr.

Reportagem: Caio Pacheco

     Aloísio Barbosa, presidente do SAAE

Prefeito Leone Maciel e o Vereador Zé do União

Erosão Ameaça estrutura da rede de captação de água.

 

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