A busca pelo sentido da vida é uma questão que está presente na mente humana, e atualmente tem ganhado ainda mais força; e não é porque não estamos preparados para buscar esse sentido, mas sim por que o processo é tão complexo que quando a realidade bate à porta, estamos frente a difícil decisão de atender ou não a esse chamado.
Encontrar esse sentido diante das mais diversas situações em que a vida nos coloca, muitas vezes se torna um desafio, pelo fato de não estarmos preparados para lidar com aquilo que destrói a compreensão que temos do que é viver, frente ao que chamamos de vida.
Podemos desacelerar um pouco e pensar sobre o que estamos enfrentando em tempos de pandemia, onde o Covid tornou-se sinônimo de medo, sofrimento e luto. A pandemia causou a várias famílias de forma repentina e dolorosa como lidar com a perda de um ente querido. E como é difícil perder alguém, como está sendo difícil ver tanta gente perdendo os seus “alguéns”. Essa perda se revela em uma mãe, um pai, um irmão, um filho, um amigo….., e assim se entende que esse alguém provavelmente é o amor de outro alguém.
Quando estamos diante da morte, estamos diante de um sofrimento que não cabe julgamento, explicação, justificativa. Cabe a dor, a dor de quem ficou; e como dói!
Pensando sobre a perspectiva do olhar de uma mãe, tentando ver o mundo que ela exclusivamente vê através dos seus olhos, falar sobre o luto é um dos processos mais difíceis e delicados em busca da aceitação. A evolução humana depende em grande parte do ceio materno, aquele que oferta segurança e proteção, e ao mesmo tempo a liberdade para experienciar os primeiros passos ao andar sozinho.
O elo construído não é capaz de ser rompido, ainda está e restará as sensações que motivam as lembranças a se tornarem eternas em qualquer momento da vida. O luto deixa um vazio, um armário cheio de lembranças, um lugar à mesa, fica no coração uma imensa tristeza, é possível sentir um cheiro no ar, e de repente fica salvo o nome no celular, e como dói!
Às mães que perderam os seus filhos, o sentido da vida torna-se o sentir a vida, pois um processo se inicia a partir de um novo olhar para o que está por vir, e o que está por vir é o que tornará as lembranças a base pra construir a aceitação e superar os desafios existentes. Nesse contexto, o luto é imutável, mas não necessariamente eterno, pois suas fases permitem às mães, com sua força inegável trazida pela potência de sua própria vida, ressignificar suas feridas a cada etapa.
A existência humana é fascinante, porém a finitude nos alerta a abrir diálogos para explorar o sofrimento, encontrar neste um sentido para a vida e assim, falar sobre o luto é uma forma de aliviar o aperto que destrói o peito, permitindo ao corpo a vivência da sua história. Fatos que não se podem apagar, são as histórias, memórias e imagens, esses resistem juntamente com o amor materno; contudo, o que é real está salvo e imutável, isso é o que resguarda o coração de uma mãe a compreender a necessidade de continuar buscando o seu entendimento sobre o sentido da vida. O luto é um processo que demanda tempo e é vivido por cada um, de forma específica.
Veja bem, não é sobre morrer de Covid ou morrer de AVC, não é sobre ser no Norte ou no Sul, não é sobre “já” ter 101 ou ser um jovem de 21. Não é sobre quem morreu, é sobre a dor da perda, essa dor que não pode ser explicada, debatida, julgada. A dor da perda é sempre muito doída e individualmente sentida.
GRUPO DE APOIO ACOLHER

Durante todo o mês de maio, mães que perderam os filhos para o covid e filhos que perderam as mães para o covid participam do projeto gratuitamente. Entre em contato e saiba mais.
Texto por :
Psicólogas do AVIVAR Espaço Terapêutico
Jeslia de Jesus Soares
Kelsylene Nether
Sidilane Souza
AVIVAR Espaço Terapêutico
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