Técnicas ajudam pacientes a lidar melhor com as pressões do dia-a-dia e a se dedicar ao presente.
Como lidar com o estresse no dia-a-dia? A intensa rotina de trabalho, horas perdidas no trânsito, medo da violência, doença na família, problemas financeiros, ansiedade e cobranças acabam provocando desequilíbrios físicos e emocionais. Se, por um lado, essa pressão é necessária para nos fazer seguir em frente, por outro é prejudicial, quando se torna crônica. “São muitos os fatores de estresse em nossa vida e, às vezes, eles são tão fortes que, em vez de impulsionar, nos paralisam. Diante disso, é importante aprender a lidar melhor com esse problema”, afirma a médica Sara de Pinho Cunha Paiva, PhD em fisiologia e fisiopatologia do estresse, pela Georgetown University, nos Estados Unidos.
Coordenadora do Programa de Medicina Antiestresse da Clinlife, em Belo Horizonte, Sara explica que o método é fundamentado na medicina chinesa, na prevenção, para ensinar o paciente a lidar com os fatores de estresse no dia-a-dia. São técnicas de meditação, relaxamento, concentração, arte e movimento corporal, para que o paciente possa viver bem o presente.
Segundo a especialista, as duas maiores fontes de estresse são a ansiedade quanto ao futuro ou a insatisfação com o passado. A pessoa pré-ocupa a mente e não se liga nas atividades atuais. “O futuro vem mesmo, não adianta sofrer por antecipação, e o passado tem que ser deixado para trás. É importante focar apenas no presente.” Nesse aspecto, diz Sara, a respiração é fundamental para a concentração, porque esvazia a cabeça e a pessoa se concentra no que está fazendo. “Isso nada mais é do que meditar. Quando a pessoa não se concentra, não faz nada bem-feito e isso gera estresse é porque somos perfeccionistas. Queremos fazer tudo de uma vez.”
Foi essa dificuldade de concentração que a estilista Maria Cristina Cruz Soares, de 36 anos, trabalhou no tratamento. “A partir do momento em que me conscientizei, melhorei em muito minha capacidade de concentrar, de focar no presente. Era o que eu precisava. Fui evoluindo até sem perceber, e, quando me distraio com alguma coisa, puxo a concentração de volta para a atividade que estou fazendo naquele momento. Não sei se foi o trabalho em grupo ou a técnica em si, mas os resultados foram surpreendentes.”
Sara faz questão de atender os pacientes em grupos, porque tem todo um lado terapêutico, com a principal função de promover uma resposta ao estresse. “Os pacientes começam a falar um pouco de si mesmos e, com isso, tirar a angústia do peito, levar para o cérebro e verbalizar, organizando pensamentos e sentimentos. As pessoas aprendem a escutar – tarefa difícil, porque implica concentração e foco – e a falar, tomando consciência de seus problemas.”
No tratamento, uma das técnicas antiestresse que a médica ensina é a meditação guiada, em que os pacientes aprendem a usar a respiração para alcançar o relaxamento. “A meditação consiste em focar a atenção apenas no presente, observando pensamentos, sentimentos e sensações para ter uma perspectiva mais ampla e calma de cada situação. Qualquer pessoa pode praticá-la, em qualquer lugar ou situação – no trânsito, no trabalho, escutando música ou conversando com os amigos”, explica.
São 12 semanas de tratamento, com duas horas por sessão, em grupos fechados. Na primeira hora, é feito um check-in, quando a especialista avalia como o paciente está se sentindo física e emocionalmente, sua alimentação, atividades físicas. Na segunda parte, entram em cena as 12 técnicas que vão ajudá-lo a respirar corretamente, relaxar, conscientizar e concentrar a atenção no presente. A pessoa pode usar uma ou mais técnicas no dia-a-dia. “Quando estamos tensos, prendemos a respiração ou respiramos de forma ofegante. Só de respirar corretamente já liberamos o hormônio acetilcolina, um neurotransmissor que vai acionar todo o mecanismo de relaxamento.”
Concentração
A meditação que a médica ensina é a da conscientização, para fazer com que a pessoa saia do automático e se concentre em suas atividades. “Ela passa a criar rituais, que são importantes, porque nos dão segurança. Nós não temos solução para o problema, mas ensinamos as técnicas para que o paciente saiba lidar com os fatores de estresse. Com isso, ele passa a ter uma vida mais leve e agradável.”
Na profissão da psicóloga Lena Vidigal, diretora da Quatre Recursos Humanos, bem como para qualquer executiva, é impossível não ter estresse. Mas ela aprendeu a conviver com o problema de forma saudável. “Não existe forma de eliminá-lo, mas a gente passa a usar técnicas que vão impedir impactos negativos na saúde física e emocional.” No caso dela, a que melhor se identificou foi o controle da respiração. “Quando estou sob pressão, paro um pouco, respiro lenta e profundamente e elimino os pontos de tensão. Presto atenção no ar que entra no meu corpo e traz paz, e no ar que sai e leva tensão.”
Para Lena, respirar corretamente, buscar a concentração e o relaxamento são técnicas fáceis, simples de ser feitas, que podem levar as pessoas a encontrar a paz em meio à correria do dia-a-dia. “Hoje, nos momentos de tensão no trabalho, não preciso de mais do que cinco minutos para respirar e me acalmar completamente.”
Fonte: Saudeplena.com



