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Mulheres na política – entrevista com a vereadora Gislene Inocência

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Ainda afalando sobre o mês da mulher, conversamos com a vereadora de Sete Lagoas Gislene Inocência Silva Carvalho . Como as mulheres lidam com a política? Por que o envolvimento feminino não é maior? O que fazer para mudar esta realidade? Confira abaixo nosso bate-papo.

Metropoli: Apesar de as mulheres serem as que mais se dedicam a formação educacional, ainda ganhamos menores salários para os mesmos cargos ocupados por homens. Como você percebe esta realidade?

Gislene: O receber menos, coloca a mulher na condição de frágil. Deve partir de nós, que somos a maioria a ação, a vontade de mudar esta realidade. A mulher é vista como dona de casa. Amo ser dona de casa, mas também amo ser professora, ter uma ocupação. O machismo ainda é muito forte. Ainda não demos conta de sair desse meio. O número de mulheres lutam com coragem pela igualdade ainda é pequeno.
A mulher tem o olhar capaz de abranger o todo. Mas a maioria se coloca numa posição de fragilidade. A gente se reserva e se preserva muito. Falta muita divulgação, querer empoderar-se ter domínio das ações.

M: Qual a importância da participação feminina na política?
Gislene:  A mulher tem uma força e poder muito grande. Não precisamos ganhar no grito, mas no talento. O que falta é se libertar. Em Sete lagoas somente duas vereadoras nessa última eleição se elegeram. É muito pouco.

M:Em sua opinião, por que há um número tão limitado de mulheres no meio político?
Gislene: A políticaesta muito desgastada . Falta credibilidade. A mulher precisa sair de si própria e acreditar em seus potenciais, precisa empoderar-se mais. Precisa parar de pensar que não tem competência, que não é capaz. Vou investigar as mulheres nas próximas eleições para ocuparmos metade das cadeira na Câmara de Vereadores de Sete Lagoas. 

M: Você já sofreu algum preconceito por ser mulher e ocupar um cargo público ou de destaque?
Gislene: Sim. Quando fui convidada para ser vice-diretora de uma escola. Falaram que precisavam de um homem para “impor ordem’’. Fui vice –diretora e cumpri o meu papel.
M: A mulher estar no poder, em posição de destaque, assusta os homens?
Gislene: Há um certo receio por parte dos homens. É uma forma de machismo velado, achar e falar que a mulher não pode …. Ainda existe a visão do homem como provedor.
Sou viúva há 16 anos, e faço de tudo. Troco pneu, troco telha, registro, tive que aprender.

M:ainda há o tabu da fragilidade feminina. Como lidar com isso?

Toda mulher sofre algum tipo de agressão na vida, seja física, verbal, moral ou outra. Temos que trabalhar a valorização, a auto estima, falar sobre o assunto e incentivar a não se calar.
Há 9 anos trabalho em uma Associação comunidade terapêutica Santa Catarina de Sena. Lá recebemos mulheres de todas as formas. Mulheres submissas, amedrontadas, com todo tipo de vivência e de experiência. Nessa casa de recuperação cuidamos de mulheres envolvidas com álcool, drogas, mulheres submissas, de todas as classes sociais e formações.. Já passou por nós dentistas, advogadas, entre outras… Temos dificuldade em manter a casa em todos aspectos. Tudo para mulher é mais difícil, infelizmente. Toda mulher sofre algum tipo de agressão na vida, seja física, verbal, moral ou outra. Temos que trabalhar a valorização, a auto estima, falar sobre o assunto e incentivar a não se calar. Precisamos sim, de amor, carinho, de afeto, mas não podemo deixar tornar dependentes disso.

M:O que fazer para quebrar os tabus das mulheres na sociedade?
Gislene: A gente se reserva e se preserva muito. Falta muita divulgação, querer empoderar-se das ações de segurança é ter domínio das ações, poder sair e falar em público para as mulheres. É um desafio, principalmente quando quer fazer um trabalho diferente. Quero fazer um trabalho diferente. Estou me preparando para isso para ,mostrar que é possível fazer um trabalho com transparência. Quero sair e instigar mais mulheres.

M:Quando você se candidatou foi difícil? Ou você tem apoio?

Gislene: Quando me candidatei tive o apoio da família, mas muitos tentaram me desestimular. Tentaram me convencer a não me envolver. Usaram argumentos de que sou cristã, e por isso não deveria me envolver no meio. Mas é justamente por ser cristã, por acreditar que tenho que entrar e fazer a diferença. É por ser cristã que preciso entrar lá e defender os direitos humanos. É a 4° vez que me candidato. Acredito na força e no poder da mulher. O apoio da família foi fundamental.

M: O que dizer a este novo perfil da mulher na sociedade?

Gislene: A mulher tem papel fundamental na sociedade. Um exemplo claro que gosto de citar, é a importância de Maria nas Bodas de Caná. A força e o poder da mulher são vistos claramente.
A música diz que a mulher é sexo frágil. Por todas as lutas, as pressões que passamos, a mulher evoluiu muito. As mulheres tiveram que assumir as responsabilidades quando os homens foram para a guerra e fizeram isso muito bem.  Apesar de toda evolução, precisamos ainda acreditar que somos capazes, somos a maioria.Isso deve partir de nós.

Por Redação

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