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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 - 16h20 - por Camila Shinayder

Hortas comunitárias comemoram 27 anos


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Programa de agricultura urbana familiar mostra evolução e apresenta desafios

Imagem meramente ilustrativa

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Hortaliças cultivadas em áreas ociosas da cidade. Uma ideia que surgiu para mudar a vida das famílias e criar alternativas de emprego e renda completou 27 anos. As comemorações do aniversário das hortas comunitárias aconteceram na última sexta-feira (4), na sede da Associação do Banco do Brasil, no bairro Boa Vista. O encontro homenageou produtores e parceiros que ajudaram a construir um modelo de sucesso na agricultura urbana familiar.

Segundo o idealizador das hortas, Jorge Jacob, a experiência foi trazida do Vale do Jequitinhonha, no Norte de Minas Gerais, e adaptada à realidade de Sete Lagoas na década de 1980. Ao invés de dar cesta básica para as famílias sem renda da época, as hortas abriram espaço para as pessoas aprenderem a cultivar o próprio alimento e se sustentarem. “A pessoa deixa de pedir e passa a oferecer”, comenta Jacob sobre o objetivo do programa. Os agricultores entram com trabalho e a prefeitura ajuda a plantar e colher, com a disponibilização de glebas de 360 m2 para cada família, água, sementes e transporte para as feiras livres.

O programa começou no bairro Manoa com 35 famílias e hoje as sete hortas comunitárias recebem a produção de 305 agricultores. João Lopes Soares foi um dos pioneiros homenageados na festividade. “A horta surgiu na época de emprego ruim e, com essa oportunidade, pude plantar e cuidar da minha família”. Lopes colhe cerca de 400 hortaliças no JK, entre alface, beterraba, cebola, cenoura e couve.

A experiência das hortas comunitárias de Sete Lagoas tem sido exemplo para programas semelhantes em outros países. Através da internet, o idealizador Jacob ensina como fazer da agricultura urbana familiar uma alternativa de emprego e renda, ocupando áreas sem uso das cidades. “Na África, Somália e Etiópia, o pessoal já está caminhando com as próprias pernas a partir do modelo de Sete Lagoas”, afirma Jacob.

Investimentos
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Eder Bolson, a produção tem sido maior do que a venda e a intenção da prefeitura é melhorar a comercialização, com a criação de mais feiras livres; de um site na internet que veicule, semanalmente, a produção em cada horta; e o Banco de Alimentos, uma unidade em construção que pretende conservar, por um tempo maior, as colheitas das hortas. “A administração Maroca apoia esse programa e trabalha para melhorá-lo cada vez mais”, comenta Bolson.

Para o deputado federal Márcio Reinaldo Moreira, as hortas possuem desafios. “O Compra Direta ao produtor rural está se tornando difícil devido a problemas legislativos porque eles [os agricultores] não são produtores rurais”, indica Moreira, apontando a necessidade de adequar as leis que preveem subsídios para a zona rural também para a produção de hortaliças em canteiros dentro da cidade. O Compra Direta é um programa do governo federal que garante a aquisição da produção da agricultura familiar. Em Sete Lagoas, o benefício foi encerrado no final de outubro para dar vez a outras cidades. O programa retorna ao município em 2011.

Durante a solenidade, os produtores ganharam um mini-trator da prefeitura. O equipamento visa facilitar a abertura de novos canteiros nas hortas.

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