Paredes muito altas e brancas, uma estética diferente daquela vista todos os dias pelos garis, nas ruas de Sete Lagoas. Tanta brancura do Palácio das Artes impressionou mais de quarenta garis, que tiveram a oportunidade de assistir uma das mais elogiadas companhias de dança do país, a Quasar com o espetáculo “Por instantes de felicidade”, neste último domingo, dia 22 de março, em Belo Horizonte. O convite foi feito pela Fundação Clóvis Salgado à Prefeitura de Sete Lagoas, que junto da Siderpa e Viasolo, proporcionaram àqueles que não têm oportunidade, um contato com a cultura por meio do projeto “Arte para todos” – idealizado pela Secretaria de Cultura e Comunicação.
Sem dúvidas este passeio representou instantes de felicidade para os visitantes. Muitos sentiram estranhamento e surpresa, sentimentos naturais, já que aquela realidade contrasta tanto com a estética que lidam no trabalho, a estética do lixo urbano. A gari Eni Pereira da Silva, de 69 anos, nunca tinha ido a um teatro na vida e ao fim do espetáculo, com os olhos brilhando, disse: “por mim eu nunca sairia daqui, ficava mais; e se tiver essa oportunidade de novo, eu vou voltar, tenho certeza, com fé em Deus“, exclama Dona Eni.

Esse tipo de ação faz parte da política de interiorização da arte, iniciativa que tem sido adotada na grande maioria das instâncias públicas – Ministério da Cultura, Secretaria Estadual de Cultura e é também algo a ser implantado em Sete Lagoas, de acordo com o Secretário Municipal, Fredy Antoniazzi, em entrevista concedida. O processo de interiorização consiste em descentralizar as ações culturais das grandes cidades – tanto proporcionar às pessoas do interior visitas aos grupos na capital, como também levar os grupos artísticos para as cidades menores. De acordo com a Coordenadora da Área de Extensão da Fundação Clóvis Salgado, Lúcia Ferreira, participam da iniciativa escolas, centros de saúde, projetos sociais, associações etc de diversas cidades e até mesmo de BH. “A oportunidade é para todos. Participa quem tem interesse, como foi o caso do Alan (Diretor Municipal do Departamento de Artes de Sete Lagoas, Alan Keller Jardim). A gente divulga e quem se manifesta pode trazer as pessoas para assistirem aos espetáculos”, alerta Lúcia. É feito apenas um cadastro simples e as instituições que se interessarem precisam apenas entrar em contato com a Fundação.
A Produtora Jacqueline de Castro também vibrou com o resultado. “Para quem produz o espetáculo é muito gratificante poder ver estes garis, por exemplo, assistindo a Quasar, uma companhia tão legal. E esse é, sem dúvidas, o início de outras parcerias que acontecerão com a Prefeitura de Sete Lagoas”, comenta a produtora, que apóia e possibilita a interiorização da cultura. Ainda assim, ela chama atenção e afirma que esse projeto pode beneficiar um número maior de pessoas com participação mais efetiva do Estado e das iniciativas privadas.




