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Líderes desconexos

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Chega na Metropoli mais um colunista! Leia abaixo o artigo inaugural de Demétrius Cotta.

* por Demétrius Cotta

Cultura Inclusa

A CULTURA INCLUSIVA é um processo que engloba a participação de todos. Assim como na educação, esse processo já se encontra em fase de institucionalização e engloba a cultura como um todo dentro de uma abordagem humanística, democrática. Nossa abordagem será invertida tendo a cultura como a protagonista de uma ação inclusiva. Claro que com isso não se cogita a substituição de um sistema por outro, mas o nosso foco será a ampliação dos valores artísticos culturais dentro de um sistema educacional, porque o assunto nos é mais familiar. Dentro dessa familiaridade é que criei a denominação “Cultura Inclusa” para nossos encontros regulares dentro da revista virtual Metropoli.

Aliás, gostaria de cumprimentar a equipe deste site pela visão empreendedora e futurística. Justifico esses cumprimentos pelo fato da cidade de Sete Lagoas estar muito atrasada com noções de participação cultural em duas vertentes; tanto no âmbito das políticas públicas culturais como no âmbito da valorização do patrimônio intangível, com ênfase ao que se produz dentro da cidade e por quem produz. Assim quem estiver disposto hoje a contribuir com nossa cultura estará certamente investindo em algo lucrativo. Nesse particular, minha contribuição à comunidade sete-lagoana encontra guarida dentro deste site além do que tenho feito voluntariamente em benefício desse patrimônio por meio da Rede aan.

Tenho participado de algumas reuniões, para organização da cultura local, e notado que alguns líderes são desconexos, sem noção de como orquestrar a simplicidade da nossa cultura, não a subestimando, é claro. Mas o caráter desconexo a que me refiro seria porque eles não encontram apoio dentro do sistema organizado da cidade. Nesse sentido, existe uma força externa, mais ou menos compreensível na cidade e que bloqueia o avanço das progressistas investidas a novos rumos que a cidade necessita. Assim nascem os líderes desconexos. Mais ou menos um problema social que atinge uma boa parcela da nossa comunidade provocando evasões e desconsolos. Isso importaria ao poder público? Acredito que pela óptica política dependeria de quantos seriam os insatisfeitos e o que eles seriam capazes de fazer para minimizar o impacto sociológico.

Apoio cultural
Apoio cultural

Mas voltando ao assunto da Inclusão, minha justificativa é que se reforçarmos a perspectiva em torno da cultura como geradora de divisas, teríamos maior envergadura discursiva. Nesse sentido a prática pedagógica coletiva multifacetada poderá pensar como inserir nossa abordagem em um contexto estrutural do funcionamento de uma escola. É claro que daí teremos acesso a uma sociedade mais inclusiva e dialógica, ou seja, é um processo que demanda começar. Urge, pelo ponto de vista da cultura , elaborar a inclusão respeitando as diferenças.

CULTURA INCLUSA, surge da visão da porção de “capital” que cada sócio esteja disposto a aplicar em uma sociedade para que ela dê certo e funcione. Agradeço a atenção e solicito feedback dos mais entendidos.

* Demétrius Cotta é Publicitário, Artista Plástico e Educador Social/Diretor da Rede aan.

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8 Comentários

  1. demetrius cotta

    26/01/2010 at 12:18

    Olá Leandro!
    ..até havia eu comentado sobre o post do Paulo do Boi a respeito dos valores culturais subjugados. Nesse comentário meu eu enfatizei a emergência de fazer circular informação segura e coesa. Talvez por essa óptica estaríamos descentralizando a informação e fazendo dela um saudável produto cultural. Quando disse que a cultura local é simples, eu desejei com isso apontar para programas e projetos que seguissem essa simplicidade sem no entanto ser simplista. E o que falta para termos esse convívio saudável é exatamente a transparência nas ações, sim porque na fala é tudo mais fácil errolar e prometer mais pra frente uma ação, assim evoquei um apelido pra cultura local : CULTURA SISÍFICA.
    Abços e obrigado pela participação.
    Demétrius

  2. leandro figueiredo

    26/01/2010 at 00:56

    Parabéns ao Demetrius e a todos que contribuem para o questionamento da cultura Setelagoana( ou falta dela…isso é um ponto a ser enfatizado) e Mineira de um modo geral. Infelizmente alguns que tomam conta do poder não contribuem de forma saudável pra a cultura do próprio lugar e estão muito sujeitos ao que vêm de fora sem questionar o que consomem e e repudiando o que há de bom na nossa cidade. O bom disso tudo é que as cabeças pensantes se encontrem para mostrar o que possuem de mais belo e concomitantemente questionador, sua arte, seu vício por vicissitude e pelas saliências do saber!! Abraço !!!!

  3. demetrius cotta

    21/01/2010 at 11:22

    Oi Paulinho,
    …foi bem sacada sua reflexão em torno do “Líderes Desconexos”. Acredito que seres culturais são críticos e o sistema não aprecia críticas que não sejam para edificar suas bandeiras partidárias. Os partidos consomem muito dinheiro do erário público e se justificam em torno dos seus sectários. Sabemos disso e por essa razão a cultura inclusa é um auto fomento da classe. A escola tem obrigação de zelar pela integridade social e de maneira nenhuma podemos abandoná-la com seus pressupostos pedagógicos sendo usados pela infiltração política. O desconexo nessa saga , aparece como subproduto de uma sub cultura subscrita, não se encontra nexo em uma nação que solapa seus filhos e avança ostentando a falta de progresso como apropriada a uma região qualquer.
    Abços! e continue participando da nossa coluna , Muito obrigado!

  4. Paulinho do Boi

    20/01/2010 at 23:13

    Olá Demétrius, parabéns pela abordagem.
    Vamos ao comentário…

    Ha muito tenho enfrentado um contexto de valores distorcidos em relação ao pensamento cultural coletivo. Confesso que o advento da Rede aan trouxe um pouco de esperança e amparo para este enfrentamento pessoal ao qual me inseri de corpo, alma e profissão. Sim, porque a rede aan e seus seguidores, produzem cultura não só como expectativa profissional e mercadológica (defesa de mercado) mas também como ferramenta básica de mudança, para melhor, da sociedade, através de empreedimentos individuais ou coletivos, que formam um pensamento crítico melhor, gerando por sua vez, ações culturais estratégicas e bem posicionadas. Esta colocação me remeteu à seguinte conclusão: Com ou sem líderes desconexos, com ou sem sistemas “organizados” estaremos sempre produzindo cultura. Principalmente se este líderes forem políticos. Pleitear que a “Cultura Inclusa” seja viabilizada através de uma sistemática escolar é uma visão futurística, inovadora e porque não dizer, ousada. Pensemos então na estratégia para começar este processo e aí surgem as dúvidas, a necessidade do estudo. A academia universitária forma profissionais voltados ao mercado, que defendem suas posições como instinto de sobrevivência capitalista. A falta de preocupação das universidades, com a formação de um pensador, amesquinha o pensamento crítico e dilacera com a nobreza das profissões e profissionais nelas embuídos, isto parece ser um processo irreversível. Partiremos então para a formação escolar básica com a esperança de que podemos, através de nossas artes e pensamentos, melhorar a produção de cidadãos. Deparamos, em muitos casos e escolas, com profissionais educadores que sequer conhecem a história da própria cidade em que vivem e muito menos onde ficam os principais centros culturais da mesma, quanto mais os artistas que a representa. Em sua maioria estes, profissionais educadores, que deveriam ser multiplicadores da Cultura Inclusa, são levados por uma cultura massificada e alienada. Como diz Zé ramalho em suas canções “… Vida de gado, povo marcado é povo feliz…” Mas, continuamos insistindo e tentando e aos poucos, quase que em um processo individual, mudamos um a um, praticamos inclusão com variáveis possíveis e impossíveis. Temos determinação,fé e raça. Acreditamos em nossas práticas e empreendemos nelas todo nosso esforço de cada dia. Somos sim, uma parte atuante que incomoda, que provoca mudança. Continuemos na luta e nos armemos com o que temos de melhor para vencer a mesquinharia massificada distribuida por poucos e alcançadas por muitos.
    Finalizo com um pensamento do músico e compositor Elomar. (Regionalista)

    ” So é cantador que trás no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos”

    Parabéns ao site pelo espaço e muito obrigado Demétrius… Por me fazer refletir…

    Abraço
    Paulinho do Boi

  5. demetrius cotta

    20/01/2010 at 10:06

    Oi João,
    eu acho que além da retórica que somos detentores , temos um Plus; somos defensores da factualidade. Para contribuirmos com esse afã em ver as coisas funcionarem corretamente temos ainda o apoio de sites como esse da Metropoli e de poucos outros meios da cidade. Mas o mais importante é que vislumbramos um oásis no deserto e estamos em busca de cultivá-lo.
    Abços e continue participando conosco, mostrando que o cidadão sete-lagoano merece respeito e boas iniciativas devem ser cultivadas. Que possamos juntos falar ao contrário do que muitos governantes pensam a nosso respeito; nos vinculando a cidadãos interioranos e sem cultura. Claro que aos olhos deles somos assim mesmo pois não compactuamos com a desordem e a omissão e muito menos com álibes dolosos.

  6. João Drummond

    20/01/2010 at 07:29

    Olá Demetrius. Parabéns por mais esta iniciativa de apoio à nossa cultura e pela lucidez e clarevidência do texto. Fala-se muito em inclusão digital, mas a discussão sobre inclusão cultural ainda engantinha. E esta tarefa está mais a cargo dos artistas e gestores culturais da cidade, já que os governos se movem lentamente, refens de suas estrututras pesadas e arcaicas. A inclusão cultural pode promover uma higienação e renovação do nosso modelo politico, que é em ultima analise o grande promotor do balimento de valôres locais e da promoção clientelista.

  7. demetrius cotta

    18/01/2010 at 23:17

    com certeza Clara,
    o que não pode é a sociedade civil se tornar passiva a ponto de nem ao menos questionar posturas oportunistas que assolaram nossa região por décadas, menosprezando coisas boas que foram feitas e ‘expulsando’ valores da nossa terra para mundos estranhos.

    Obrigado pela participação

  8. Clara BIcalho Leite

    18/01/2010 at 21:42

    Demétrius, oportuna e necessária sua participação na revista. Espero também que o cenário cultural possa merecer algum “milagre” e a inclusão dos mais jovens venha com a força transformadora capaz de mudar destinos e alargar visões e mentes.

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