Morrer nunca foi tão divertido, seria trágico se não fosse cômico. Eles não voltaram, mas vão te contar: O quê de pior pode acontecer após a morte? O céu? O inferno? O nada? Um convite à filosofia irresponsável, divertindo-se com os signos prosaicos da morte. Cada um a sua maneira buscando um pouco de possível.
Até 29 de Janeiro
Quinta a Sábado as 21h e Domingo as 19h
Palácio das Artes – Teatro João Ceschiatti
R$24,00 inteira / R$12,00 meia
R$10,00 postos do SINAPARC
Gênero: Comédia
Duração: 50 min
Classificação: 14 anos
A Preqaria Cia de Teatro convida a todos para a reestréia de seu mais novo espetáculo Conversa Séria de Calcinha e Soutien, livremente inspirado na peça Entre Quatro Paredes de Jean-Paul Sartre, no Palácio das Artes, Teatro João Ceschiatti de 05 à 29 de Janeiro, com direção de João Valadares e dramaturgia de Anderson Feliciano e João Valadares.
A reestréia do espetáculo traz algumas mudanças dramatúrgicas, de atores e iluminação, mas a principal mudança está no tom geral da peça que passa a ser predominantemente mais cômico. Em Conversa Séria de Calcinha e Soutien o grupo faz uso da situação limite proposta pelo texto de Sartre – quatro pessoas condenadas a conviver em um cômodo fechado e quente por toda a eternidade, pra construir sua própria dramaturgia. A idéia é se divertir com o tema sério, refletir sobre os signos prosaicos da morte e brincar com os clichês que o além vida suscita. Os personagens estão no inferno, mas, como na proposição de Sartre, não se encontram com demônios empunhando tridentes e cheirando a enxofre, eles se deparam com o outro, pessoas comuns que por uma característica ou outra remetem às pessoas mais próximas de suas vidas – as que amavam ou odiavam…
Como exercício de linguagem o espetáculo Conversa Séria de Calcinha e Soutien coloca máscaras nos atores. Caracterizar um personagem encerrado na eternidade quente com outros três seres “pós-existindo” pode ser uma experiência reveladora: “Qual de nós vai tirar a máscara primeiro? Que seja eu, não me importo em ficar nu”.
A máscara é para a criação do ator um refúgio e um estado de espírito. Por se sentir ameaçado o personagem assume a persona do capitão, da gata, do servo ou de um doutor charlatão. Todas as máscaras são da Commedia Dell’ Arte veneziana, a mais carnavalesca e barroca das commedias, mas, para essa “séria conversa”, a escolha é retirar todo o brilho do carnaval. A existência sem vida, opaca e sem perspectiva, impera ao grupo uma escolha radical estética: todas as máscaras são pintadas de branco. É como se as máscaras estivessem sem vida como os personagens – “mortos vivos” se ocupando da eternidade.
A cenografia desenvolvida por Raul Belém Machado cria um espaço suspenso na escuridão do nada, demarcado por uma lona branca que, associada à iluminação intensa, branca e à pino (sem angulações), desenvolvida por Felipe Cosse e Juliano Coelho, forma sombras grosseiras nas figuras caricaturadas pelas máscaras da Commedia Dell’ Arte. Conceitualmente, o contraste com o piso escuro do Teatro João Ceschiatti define o espaço como “aquilo que existe”, um lugar onde a luz nunca se apaga e toda a escuridão além desse pequeno quadro, é o que, para muitos, é o que de pior pode acontecer após a morte: o nada.



