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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 - 14h03 - por José Geraldo Barbosa

A Coragem


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José Geraldo Soares Barbosa* por José Geraldo Soares Barbosa
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Gonçalves Dias, na “Canção do Tamoio”, afirma que a vida é combate, que aos fracos abate, que os fortes, os bravos, só pode exaltar. De fato, viver e caminhar no mundo, existir-no-mundo é um difícil combate. E a disposição que nos guia e nos mantém firmes nesse combate é a coragem. A Grécia antiga viu na coragem, a riqueza maior de seu povo. No Evangelho de João, capítulo 16, versículo 33, Jesus Cristo diz o seguinte a seus discípulos: “… no mundo tereis aflições, mas tende coragem, eu venci o mundo”.

A coragem nos arranca do nosso comodismo interior para “descruzarmos os braços” e entusiasmarmos a lutar pela existência. Liberta-nos de nossas ilusões e abre-nos para o real que está junto de nós. Se conseguirmos chegar a essa realidade concreta, chegaremos ao que nos comove e consequentemente nos arrasta ao comprometimento. Para tanto, precisamos da coragem que nos leva a essa ação de compromisso e evitar a todo custo a covardia que foge e abandona.

Lançados no mundo, muitas vezes ameaçados por transtornos diversos, como enfrentar situações humanas cheias de tantas amarguras e contradições? Como avançar? Só há um caminho: a coragem que diz sim à vida humana no mundo.

A coragem não está imediatamente no êxito, na vitória ou no vencimento do que nos desafia e nos põe em perigo. Está primordialmente em nós mesmos como sentido do possível: abre-nos para a tentativa, o esforço, o trabalho, a criação do modo próprio de viver a condição humana. A coragem diz: é por aqui, vá em frente!

O grande filósofo Sócrates é exemplo daquele que não foge diante do perigo de morte. Quando ele afirma: “eu só sei que nada sei”. Considerado grande sábio, ele não interpretou isso no sentido de já ter a sabedoria, mas no sentido de ter a coragem de buscá-la. Condenado pelo tribunal de Atenas, por viver e ensinar aos jovens a coragem de filosofar, poderia ser absolvido se desistisse do ensino de tal aprendizagem. Sócrates, porém, não quis uma salvação resgatada pela fuga e covardia.

De fato, nossa condição humana nos coloca como num barquinho em meio ao mar. É a nossa realidade. Diversos enigmas às vezes nos assustam e amendrontam. Contudo, diante das incertezas e riscos, é preciso sempre termos coragem com autêntica paixão. E então, seguirmos avante.

* José Geraldo Soares Barbosa é jornalista, formado também em Filosofia pela PUC-MG e Teologia pelo Seminário Provincial do Coração Eucarístico de Jesus, de Belo Horizonte-MG.

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