A reflexão em torno da Ressurreição de Jesus traz em seu bojo uma questão interessante: a Ressurreição pode ser considerada fato ou enunciado de fé?
Quando no Evangelho de João, capítulo 20, versículos 1 a 9, Maria Madalena vai ao sepulcro de Jesus, vê a pedra retirada do túmulo, em seguida, conta a Simão Pedro e ao discípulo amado, que por sua vez vão ao sepulcro, vêem os lençóis e o lenço que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, enrolado num lugar à parte – de acordo com a chamada exegese bíblica (= a disciplina que estuda os escritos do Antigo e Novo Testamento), a sequência e formato da redação desse trecho de João é assim colocado pelo autor ou autores do referido Evangelho, no intuito de afirmar que o corpo de Jesus não foi roubado, mas sim, que ele ressuscitou de verdade.
Mas será que isso quer dizer que a Ressurreição de Cristo é fato histórico? Se não for, quer dizer que é uma mentira? Uma coisa é certa: a Ressurreição para além da história ou da experiência de fé, para os que crêem, é sempre realidade atual. Isso quer dizer que independentemente de fato ou relato de fé, Jesus Cristo venceu a morte como indicativo de que todos venceremos, não obstante o credo ou religião. A reflexão acerca da Ressurreição de Jesus sinaliza também para um outro ponto: a confluência entre o Jesus histórico e o Cristo da fé. Aí vem outra situação que pode assustar um pouco, mas que merece ser ressaltada: para os judeus daquele tempo Jesus fracassou, justamente porque morreu numa cruz. Esperava-se um Cristo (= messias / salvador) vitorioso e que não morresse numa cruz, como acontecia com os condenados daquele tempo. Isso foi o que aconteceu com o Jesus histórico. Por outro lado, o Cristo da Fé refere-se ao ressuscitado – o que significa que os textos evangélicos que relatam a Ressurreição de Jesus, fazem uma exaltação de Jesus. Quer dizer que o Jesus histórico, fracassado para os judeus, não fracassou para os seus seguidores, mas tornou-se vencedor. Nesse sentido, os relatos evangélicos da Ressurreição seriam antes de tudo, uma afirmação de fé na vitória de Cristo (= messias esperado que cumpriu a sua missão).
Na verdade, o problema cristológico (= reflexão acerca de Cristo) é simples: consiste em dizer que Jesus é Cristo, ou seja, salvador, o messias tão esperado. A indagação sobre como unir o humano e o divino é um paradoxo da fé cristã (= confronta duas realidades distintas). Afirmar que o homem histórico Jesus de Nazaré é Deus (um escândalo para os judeus) é paradoxal. Nesse sentido, espanta a afirmação de que é preciso passar por um homem para se chegar até Deus. E o que explica isso é a fé, não a ciência. Dizer que Jesus de Nazaré é Deus sem passar por uma explicação de fé é complicado. Nisso consiste a problemática cristológica, onde está também contida a reflexão que envolve a afirmação em torno da Ressurreição de Cristo, que transcende (= ultrapassa) a história e a experiência de fé. Assim sendo, é possível ressaltar que tal concepção é concreta, incluindo todo e qualquer seguimento.
* José Geraldo Soares Barbosa é jornalista, formado também em Filosofia pela PUC-MG e Teologia pelo Seminário Provincial do Coração Eucarístico de Jesus, de Belo Horizonte-MG.




Acredito que a ressureição de Jesus se dá na luta por justiça,no amor ao próximo,os seus ensinamentos não deixam de serem pregados pelos seus seguidores.Jesus ressucitou teológicamente.Ele está vico nas lutas das comunidades pela transformação de um mundo melhor.se achaarem os restos mortais de Jesus não abala minha fé nele