Máquina de Vendas, formada pela fusão da rede mineira com a Insinuante, confirma compra da mato-grossense City Lar, amplia força no Norte e no Centro-Oeste e passa a ter 750 lojas no país.
A Máquina de Vendas S/A, criada há três meses pela fusão entre a rede de eletrodomésticos mineira Ricardo Eletro e a baiana Insinuante, já voltou às compras, dando o primeiro passo em direção à estratégia de aumentar sua participação no mercado. A empresa confirmou na quarta-feira a compra da City Lar, rede do varejo com sede no Mato Grosso, com presença marcante em toda região Norte e no Centro-Oeste do país. Fontes do mercado varejista indicam ainda que negociações também já estão em andamento com a Colombo, rede de 340 lojas, líder no Sul do país e com lojas em São Paulo e cidades mineiras. Com a aquisição da City Lar, a nova gigante abocanha mercados do Norte e Centro-Oeste e Nordeste. E, se for fechado o negócio envolvendo a Colombo, pode abrir uma fronteira importante no Sul do país.
A intenção da Máquina de Vendas é ampliar sua participação, reduzindo a longa distância entre o primeiro colocado do varejo, o Grupo Ponto Frio, Casas Bahia e Extra, com faturamento de R$ 40 bilhões. Com a fusão, o faturamento da empresa salta de R$ 5,2 bilhões para R$ 6,1 bilhões já este ano. Serão incorporadas 200 lojas da City e o número de estados com a presença do grupo salta de 19 para 23, mais o Distrito Federal. O valor do negócio não foi oficialmente anunciado. Em nota, o principal executivo da City Lar, Erivelto Gasquez, informou que as negociações tiveram início logo depois da fusão entre Ricardo Eletro e a Insinuante. Até a Copa de 2014, a Máquina de Vendas pretende atingir o faturamento de R$ 10 bilhões e gerar 30 mil empregos. O número é o dobro do atingido com a primeira fusão.
Segundo recente entrevista do presidente da Máquina de Vendas, Ricardo Nunes, ao Estado de Minas, o modelo do negócio foi estabelecido para atrair novos parceiros e o crescimento da sociedade será agressivo, em direção a fusões e aquisições.
O presidente da Suggar, Lúcio Costa, que vende seus produtos para as maiores redes do varejo nacional, acredita que cada vez mais as grandes empresas vão ganhar participação no mercado, oferecendo prazos e preços. A pressão sobre os fabricantes não assusta. “As mudanças são constantes e o mercado sempre foi marcado pelo domínio de algumas redes e grupos. Nesse contexto também existem grandes fabricantes. Ninguém se estrutura para perder dinheiro.”
A nova estrutura permite às empresas maior economia de escala e negociação de preços, assim como estende o poder para absorver custos fixos. “O movimento de consolida é cada vez mais marcante. Com o crescimento do interesse por novos mercados como o Norte e Nordeste e a velocidade dessas grandes redes também rumo ao interior do estado, o lugar dos médios fica cada vez mais espremido”, comenta o professor da PUC-Minas e especialista em marketing estratégico, Marco Antônio Machado. Segundo ele, a tendência de empresas com faturamento próximo a R$ 1 bilhão/ano é de cooperar para competir. “A tendência para as empresas de médio porte é de união com grupos maiores para juntar forças. É uma competição.”
Com a fusão, a Máquina de Vendas permanece como a segunda maior empresa do varejo brasileiro. A terceira colocação do ranking permanece com o Magazine Luiza. E a Colombo mantém a quarta colocação, entre as grandes empresas nacionais.



